A Importância da Meditação

Victor Mendonça e Raquel Romano

Victor Mendonça: Como brincadeira é coisa séria, hoje eu e a arte terapeuta Raquel Romano vamos falar sobre um tema muito importante e desafiador neste momento e em outros mais difíceis, mas que ajudam, na verdade, a ancorar o pé no chão: a meditação como uma forma de aliviar o estresse e de trabalhar a ansiedade. Não é mesmo, Raquel?

Raquel Romano: Olha, a meditação é uma forma de a gente buscar o equilíbrio interior, o equilíbrio interno. Isso não significa desconectar com o mundo externo, pelo contrário: é a gente se preparar melhor para conviver com o mundo externo 24 horas por dia. E ainda ter bons sonhos, porque a mente descansada nos proporciona um sono tranquilo, um sono restaurador. Há várias formas de meditação, mas podemos falar da nossa primeira meditação, a meditação budista. É uma meditação ativa, a meditação de um mantra que nos proporciona uma energia vital. É uma meditação interessantíssima!

Victor Mendonça: A gente vai tendo uma clareza maior, quando medita. Uma vez, eu estava conversando com um psiquiatra sobre isso, como a meditação ajuda e, às vezes, pode até evitar um tratamento de forma medicamentosa, talvez. Porque ela traz uma clareza, uma organização do nosso pensamento, nos ajuda a nos organizar melhor. Então, quando a gente recita esse mantra que é o “Nam Myoho Renge Kyo” que, a Raquel e eu,  como budistas, recitamos, a gente cria uma frequência sonora e isso é muito bom porque vai mudando a maneira como a gente enxerga as coisas. Porque a gente percebe que a precisamos ter bons pensamentos, que vão virar gestos, palavras, que vão virar boas ações. Tudo isso surte efeitos valiosos na nossa vida que repercute na sociedade. A Raquel falou uma coisa muito interessante: a meditação não é a gente se isolar, é a gente ser feliz na vida diária.

Raquel Romano: Você falou uma coisa importante que me despertou para esse comentário que vou fazer: na verdade, a meditação não nos distancia da realidade. Não é sair da realidade caótica em que muitas vezes nós vivemos, pelo contrário: é reconhecer a realidade, seja ela a mais difícil que for; não interessa. Mas reconhecer, enfrentar a realidade com coragem com fé, com a certeza de que tudo será transformado. Então, não é a gente falar assim “ah, que legal, é pensamento positivo”. Não é simplesmente ter pensamento positivo. É ser realista, descobrir o seu poder interior, que não vem de fora. É você. Você é quem resolve suas questões. Não há culpados e isso dá para a gente uma força enorme. Você percebe que não vítima de uma situação. Você é o diretor da sua cena, o diretor do teatro da sua vida, que está ali quando você recita o mantra. Para mim, é muito interessante porque muitas vezes vêm soluções na minha mente, questões que eu precisava resolver; de repente, vem uma solução e muitas questões que eram preocupantes vão sendo dissolvidas. Por quê? Porque a gente constrói um equilíbrio interno para se relacionar com o mundo externo.

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