Atypical (Segunda Temporada) – Resenha

Selma Sueli Silva

A segunda temporada de Atypical traz um Sam que deseja ser independente e que, para isso, tenta resolver suas dificuldades, inclusive do dia a dia, sem a presença da família. Mais espaço para Sam significa oportunidade de acompanhar cada personagem da família, vivendo seus próprios dramas.

A forma escolhida pela roteirista para desenrolar a trama revela-se muito acertada. A narrativa do jovem aspie é como se víssemos o mundo a partir de seus olhos. Muito interessante, já que ele usa o hiperfoco em pinguins para entender o mundo à sua volta. O que nos leva à reflexão: nós também tentamos entender as diferenças?

Foi uma maneira inteligente de mostrar que o autista entende de maneira literal, linear e lógica. O que não o impede de aprender alguns recursos utilizados pelos típicos, como uma mentirinha aqui e outra ali.

No decorrer da trama, percebemos que os conflitos de Sam são os mesmos que o de qualquer adolescente, só que intensificados. Por exemplo, a irmã tenta se adaptar em uma escola nova, com novos colegas e passa a ser quem não é para ser aceita. No entanto, quando ela percebe que não dá para fingir sempre, ela e os colegas ganham uma nova perspectiva das situações vivenciadas.

O roteiro se desenvolve mostrando essas descobertas e resoluções de problema de Sam. Ele perdeu sua terapeuta na temporada passada e a busca por um novo terapeuta é hilária, apesar de real: nem todo mundo está preparado para entender o autista.

O amigo de Sam não fica preocupado em como se relacionar com ele, mas apenas tenta entender e ajudar o amigo. No final, ele também acaba sendo ajudado.

A nota triste fica por conta de como Elsa passa toda a temporada sendo rotulada por sua infidelidade. O mesmo não aconteceu com o pai Doug, na primeira temporada, quando ele, num primeiro momento do diagnóstico, abandonou a família. Nessa segunda temporada ele descobre o caminho da mãe para educar o filho diferente.

Duas cenas de preconceito e falta de informação chocam: a forma como Sam é tratado pela autoridade policial e os amigos acreditando ser natural afastar o filho da família problema.

Tudo isso leva a família de Sam a amadurecer mais, a conviver com outros autistas, a encontrar soluções conjuntas e a olhar para seu próprio umbigo também. O interessante é que a temporada é densa de aprendizado e é exibida de maneira leve e bem humorada.