Autismo e Interação Social: Mitos e Verdades

Victor Mendonça e Selma Sueli Silva

O Fascinante Mundo do Autismo é recheado de Mitos e Verdades. Afinal, o autismo trata do ser humano e o ser humano não é uma ciência exata. Um deles é sobre que o mito de que o autista vive no mundinho dele e não gosta de se relacionar com outras pessoas. Não é verdade. O contato pode até ser difícil, às vezes, mas existem estudos recentes que sugerem que o autista, em geral, gosta de se socializar. Mas é que são tantos estímulos sensoriais, cognitivos e emocionais que ele acaba se fechando, não necessariamente porque ele quer que seja assim.

O autista gosta de ficar sozinho? Há os que gostam e os que não gostam. O autista que não gosta pode não ter habilidades para essa interação, e também pode haver questões sensoriais que dificultem a comunicação. Quando você tem uma série de desafios sensoriais e motores, fica mais difícil a socialização. Pois são ruídos, barulhos, desorientação no ambiente…

Tanto a menina quanto o menino autista tem dificuldade de se socializar. Ocorre que a mulher, por questões de comportamento social, costuma ser mais cobrada na área de socialização. Além disso, as colegas costumam ser mais acolhedoras e vão ensinando. A menina autista é muito boa em copiar. Tony Attwood, maior especialista mundial em Síndrome de Asperger, diz que as mulheres são muito boas em camuflar a Síndrome. Isso acaba por fazer que muitas que estão na ponta mais leve do Espectro não sejam diagnosticadas.

Outro conceito interessante é o de introversão versus extroversão. Muita gente acredita que a dificuldade de interação do autista está ligada a timidez, mas não necessariamente isso ocorre. A introversão e a extroversão estão ligadas à adaptação social, ao ambiente em que a pessoa vive e como ela faz para conviver nesse ambiente. Por isso, existem autistas extrovertidos que não são sociáveis. Por exemplo, aquela pessoa que fala muito, mas diz coisas inadequadas, pode magoar o outro sem intenção, não sabe ouvir. Em casos mais sutis, esse autista nem sequer sabe quando pode interromper o outro para falar. Então o autismo não está ligado à timidez e sim à baixa habilidade social. Existem aqueles que conversam com todos, mas não tem amigos próximos. Ou quem está muito próximo, mas está incomodado e não sabe se posicionar, e acaba desaparecendo da vida do outro, do nada!

A questão da comunicação deve ser observada desde o bebê. Mesmo que ele não fale, ele se comunica e a mamãe presta atenção e passa a entender seu bebê. Quando o filho cresce, as mães perdem essa habilidade, passam a não prestar tanta atenção no filho, e sim na fala dele. Observar o filho é a melhor forma de saber qual a necessidade dele, qual é a dificuldade. Por exemplo, existem mães que insistem em beijar filhos que não querem ser beijados ou abraçados.

Outro mito é aquele que diz se a pessoa fala muito bem, se comunica muito bem, ela não pode ser autista. A comunicação deve ser funcional, expressar claramente o que a pessoa sente e pensa. O autista com rigidez cerebral e uma comunicação pouco funcional pode ser rotulado como “dono da verdade”.

Outro mito considera que se o autista tiver uma inteligência privilegiada em algumas áreas, ele pode ser bom em tudo. Mas não é assim. O autista pode ir desde a deficiência intelectual até a superdotação ou altas habilidades – dupla excepcionalidade no caso dos autistas.

Todo autista tem capacidade, mesmo se tiver deficiência intelectual. Esse autista tem capacidade e pode aprender, se for acessado da forma específica dele para externar o seu potencial. É bom lembrar que mesmo no autista com deficiência intelectual, com dificuldades severas de comunicação, a comunicação está ali, porque é intrínseca ao ser humano. Se forem dadas a ele as ferramentas certas, ele poderá se comunicar e vai se desenvolver a partir daí.

A deficiência existe para a pessoa com determinado impedimento ou limitação, mas se a sociedade oferecer a essa pessoa as ferramentas necessárias, ela poderá conseguir fazer o que fazem os considerados típicos.