Autismo na Infância: Aprendizagem e Inclusão na Escola

Victor Mendonça e Selma Sueli Silva

Aprendizado e inclusão é um assunto recorrente, porque os pais são obrigados por lei a enviarem os filhos para a escola a partir de quatro anos de idade. A escola é muito importante para o autista, pois é nela que ele vai vivenciar (colocar em prática) o que apendeu nas terapias. Afinal, as terapias servem para ser vivenciadas e aplicadas na vida diária, quando estamos em contato com outras pessoas.

Estímulos

Ao receber o diagnóstico, os estímulos são urgentes para a criança. Com o diagnóstico precoce, as intervenções principais mais indicadas são: fonoaudióloga e terapeuta ocupacional, por causa dos estímulos e conexões cerebrais que precisam ser feitas. E como você vai à fono e a to uma vez por semana, é preciso que a criança exercite em casa, na escola, tudo que aprendeu nessas terapias. Isso não significa transformar a vida da criança numa eterna terapia, só significa que esse exercício diário deve ocorrer de forma lúdica, com leveza.

Quando o ensino infantil recebe o aluninho, é preciso que a professora o observe, sem formar conceitos antecipados e nem julgamentos. É preciso entender que existe um diagnóstico que é muito importante, pois é uma orientação, um norte, mas que se está lidando com uma pessoa. Cérebros não chegam à escola sozinhos, com ele vem todo um corpo e uma história.

Para que a professora dê conta desse olhar mais individualizado, ela pode lançar mão de agenda, reunião e parceria com a família e profissionais que atendam a criança. Além desses pode haver o mediador, professor de apoio que irá mediar a relação para que a professora regente possa se planejar melhor com relação à inclusão. Conhecer o ser humano nos impede de exigir para além ou aquém de sua real capacidade.

O ensino infantil é uma etapa mais lúdica, mais livre de pressão e com menos estímulos. O autista, nessa fase, pode precisar de maior suporte para o desfralde, a alimentação. Mas quando passa para o ensino fundamental existe uma cobrança maior para a interação e independência. É como se os educadores quisessem que ele dormisse dependente e acordasse independente e não é bem assim. Todos temos um processo para essa transição que no caso do autista costuma ser mais lento, e isso deve ser respeitado. Afinal, tudo bem ser diferente.

Autismo leve

No caso do autismo grau leve, ele vai chamar atenção pela inteligência, mas pode apresentar muita dificuldade na organização, cuidado com os materiais, a necessidade de todos os comandos diretos e explícitos. Isso confunde os educadores, como se autista não pudesse ser inteligente. Existe uma visão errada de que a pessoa com deficiência está abaixo das outras. Mas não. A pessoa com deficiência pode ter habilidades muito acima da média, e as dificuldades, bem abaixo. E isso é mais visível nos autistas, mas com terapias essa distância tende a diminuir.

Tais pessoas costumam ser julgadas pois se é tão inteligente para algumas coisas, deveria dar conta de outras tantas e se não dá com certeza, é preguiçoso. Não é assim, o autista tem um desgaste muito forte para funcionar no ambiente social e escolar desde cedo. Embora as crianças sejam mais habilidosas para lidar com o diferente, esses ambientes são mais agressivos para o autista.

O educador tem pavor de não extrair de seu aluno todo o seu potencial. Só que o autismo leve não é visível, essas limitações não são tão visíveis. Enquanto você chama a turma para levantar e sair da sala, o autista leve ainda está processando o primeiro comando; levantar. Só depois de um tempo é que ele processa que é para sair da sala. Então é preciso observar, observar e observar. Quando o autista está se acostumando com o fundamental I, vem o fundamental II. Mais mudanças, mais professores, mais entra e sai de sala. Há uma quebra no padrão que já é complicada, e vem a pré-adolescência.. E mais cobrança social. Neste ponto, o entendimento literal começa a ter um peso maior.

Tolerância e amor

Nas questões de aprendizagem não podemos esperar a tão sonhada capacitação dos educadores. As mães também não foram e nem sequer o próprio autista. O aprendizado se constrói ao caminhar. Juntos, com tolerância e amor. Tudo bem que mãe pode ser um filho e professores podem ter até 40 numa única sala. Mas a “Nova Era” está nos apontando para a necessidade do foco no ser humano. Esse novo ser humano requer e vai cobrar, até quando criança, o respeito a suas especificidades.

Crianças com deficiência percebem o mundo ao redor, mesmo as que possuem algum déficit de inteligência. Mas elas têm inteligência sim, e um modo diferente de expressar essa inteligência.

Bem vindos ao nosso fascinante mundo do autismo, bem vindos à Nova Era – prezar o ser humano SEMPRE.