Como foi descobrir que minha mãe é autista

Victor Mendonça

O diagnóstico de minha mãe como asperger não foi importante apenas para ela, mas para mim também. Como filho e como autista que tem relação muito próxima com ela, foi importante para ambos.

Como filho, passei por uma fase de descoberta e compreensão que talvez não seja tão diferente do que os pais passam quando sabem do diagnóstico dos filhos. Eu e minha mãe sempre tivemos uma relação muito amorosa e ela sempre me compreendeu bem. No entanto, o diagnóstico dela me deu um norte para entender algumas sutilezas que antes dificultavam bastante a nossa relação.

Lembro-me das vezes em que presenciei minha mãe ‘perder a cabeça’ em uma crise. Algo que não era fácil pra mim e muito menos para ela. Agora, depois do diagnóstico, ela está mais atenta aos sinais do que possa desorganizá-la, gerando o colapso. Sei que não é fácil entrar em crise e, muito menos, presenciar alguma vinda de quem é tão fundamental para nosso equilíbrio.

Sinto uma evolução significativa até no meu próprio desenvolvimento desde que ela vem sendo acompanhada dentro de suas especificidades. Aos poucos, vamos compreendendo sobre como as dificuldades que ela apresenta por causa do próprio autismo acabam se refletindo em mim também, e como podemos manter essa parceria para sermos felizes juntos.

Várias famílias acham que não vale a pena o diagnóstico. Afinal, o adulto já passou por tanta coisa na vida que agora não faz diferença. Eu digo: faz sim. Faz toda a diferença pois o único tempo que temos, onde podemos praticar a ação e traçar um futuro maravilhoso é esse: o presente – aqui e agora. Ele é que determina o sucesso futuro.