O que é a Síndrome de Asperger?

Selma Sueli Silva

A primeira vez que ouvi o nome Síndrome de Asperger foi em 2008, quando recebi o diagnóstico de meu filho. A explicação veio em seguida: “Síndrome de Asperger é um Transtorno Global no Desenvolvimento da criança”. “Ela possui limitações em três áreas: comportamento, social e de comunicação”.  A frase direta e no popular foi: Asperger é o primo rico do autismo. É diagnosticada mais tarde que o autismo clássico porque o asperger, geralmente, não apresenta atraso da linguagem.

Aos poucos fui absorvendo novas informações. Soube, por exemplo, que em 1944, o pediatra austríaco Hans Asperger concluiu um estudo que observava padrões de comportamento em crianças do sexo masculino, especificamente. Hoje, já se fala em mulheres aspergers como um grupo subdiagnosticado, levando ao diagnóstico tardio, como foi no meu caso. Em 1994, a Síndrome de Asperger foi incluída ao DSM (Diagnostical and Statistical Manual of Mental Disorders – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e, também, ao CID (Código Internacional de Doenças).

Até então, a SA era associada ao autismo, embora sempre houvesse uma diferença nas características. Porém, em 2013, a quinta edição do DSM incluiu a Síndrome de Asperger em um agrupamento médico denominado de TEA (Transtorno de Espectro do Autismo).

Outra descoberta, portanto: o autismo é um espectro que apresenta nuances que vão de severo, passando pelo moderado até chegar ao leve. Na Síndrome de Asperger, não há comprometimento intelectual, ou atraso cognitivo.

Atualmente, mesmo sendo considerado um “transtorno”, existe uma corrente que inclui pesquisadores, profissionais da saúde e os próprios autistas – sim, autistas crescem – que defende o modelo da neurodiversidade. A ideia é que o autismo, em qualquer grau dentro do espectro é parte natural da biodiversidade humana, assim como as variações em etnia ou orientação sexual (que também têm um histórico de patologização).

Foi neste ponto que meu foco saiu da literatura científica e se abriu, também, para a observação dos autistas adultos. E aí uns conceitos foram ampliados e outros descartados. Isso mesmo, o que inclui o paradigma de que o autista vive em seu mundo e não gosta de contato social. Não, o que se constatou é que o autista decodifica o mundo de maneira diferente o que o limita na comunicação com o outro. Por sua vez, se o outro não se dispuser a interagir, a procurar entender como o autista funciona, independentemente da classificação no espectro, esse autista vai se fechar e acreditar que o contato com o outro é ruim.

Apesar do cérebro autista em comum, pessoas autistas são imensamente diferentes uns dos outros. Por quê? Porque são pessoas, seres humanos. O ser humano é único e irrepetível. Dessa maneira, com os estímulos corretos, essas pessoas podem, inclusive, transitar no espectro. Para frente ou para trás. Alguns autistas têm talentos excepcionais. Mas uma coisa é certa, as condições coexistentes ao autismo como transtorno da ansiedade, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), transtorno sensorial – entre outros – e uma sociedade sem adaptações pra essas limitações, faz com que as pessoas autistas apresentem deficiência em algum grau — algumas vezes de forma marcante, em outras, de forma sutil.