Roberto Mendonça apresenta “O Menino Artista”, seu primeiro livro para crianças

“O Menino Artista” é a primeira publicação do escritor, editor e jornalista mineiro Roberto Mendonça para crianças. Dedicado ao filho, o também jornalista e escritor Victor Mendonça, o livro conta a história de um jovem autista que superou muitos obstáculos para alcançar o sucesso. A importância de estudar para compreender lições cotidianas, a ignorância e o preconceito são alguns dos temas tratados com leveza, sensibilidade e doses de bom humor pelo autor, considerado um dos principais jornalistas mineiros e tido por diversos escritores como um mestre da crônica.

“É muito importante que um autor escreva para as crianças e os jovens”, registra o autor. “Aos oito anos, tive uma professora, a Dona Leda, que elogiava minhas redações, que naquele tempo se chamavam composições, e as colava em um quadro no corredor da escola Margarida Brochado, no bairro Barreiro. Morei por três anos ali, há mais de cinquenta anos, e guardo a professora Leda com muito carinho e gratidão. Meu pai me dava muitos livros, sempre acompanhados de dedicatórias carinhosas. Agora quero retribuir de alguma forma o carinho e os estímulos que recebi quando era um menino”.

Conhecido por obras repletas de simbologias, Roberto Mendonça observa que não se trata de adaptar seu estilo tradicional de escrita para o público infantil. “Meu estilo não muda. Gosto de escrever no presente do indicativo, francamente, com simplicidade, procurando as palavras exatas. A diferença é que devemos considerar as limitações do vocabulário de leitores muito jovens, ainda em formação. O livro trata de assuntos diversos, como a relação com as pessoas, o meio ambiente, a importância das artes na vida de todos nós, o preconceito, a necessidade de estar sempre aprendendo. Quero que os leitores reflitam sobre esses temas”.

“O Menino Artista” é dedicado também ao pai, o compositor João Mendonça. “Aprendi muitas coisas com meu pai, que não está mais entre nós, e aprendo muitas coisas com meu filho. Vejo muitas semelhanças entre nós, o que costuma me comover. O amor paterno se reflete na tentativa de sempre ajudar o filho, compreendê-lo, orientá-lo, mas somos limitados”.

Com relação às ilustrações da obra, Roberto Mendonça considera que “Ilustrar um livro para os muito jovens é importante para tornar a leitura mais leve, para inspirá-los ao exercício artístico e para propiciar formas diferentes de interpretação do texto. Devo confessar que embora adore desenhar, desde criança, sou muito crítico com o meu trabalho de ilustrador. Prefiro as artes gráficas, os diagramas. Além disso, gosto mais quando utilizo o traço livre e abstrato, mas esse tipo de ilustração não seria adequado no caso de ‘O Menino Artista’. Como estamos nos servindo cada vez mais dos computadores, preferi utilizar um computador para produzir as imagens, preterindo o traço livre. Além disso, é uma forma de convidar as crianças a desenvolverem a arte digital. As ilustrações do livro são um misto de desenho manual e recursos digitais. Não sei até que ponto essas ilustrações serão bem recebidas, mas, mesmo que eu receba muitos elogios, ainda assim vou sempre olhar para os desenhos que faço e ter a sensação de que está faltando alguma coisa”.

Roberto Mendonça é um dos principais nomes do jornalismo belo-horizontino nos últimos trinta anos. Foi editor geral do Jornal de Domingo e redator-chefe da TV Bandeirantes em Minas e um dos criadores do jornal Hoje em Dia, do qual foi editor de Cultura (por mais de 20 anos), Esportes, Economia e Capa ao longo de 26 anos. Como professor universitário, integrou o programa FAT do Governo Federal, ministrou aulas para turmas de diversos períodos dos cursos de Comunicação da PUC-MG e UNI-BH e foi paraninfo da primeira turma de Jornalismo do Oeste de Minas (Arcos-MG). Como escritor, escreveu poemas para o livro “Pássaros da Liberdade”, de Marcelo Prates, e publicou seus livros “Crônicas do Fim do Tempo” (com projeto gráfico de Marcelo Xavier e ilustrações de Mário Vale, edição integrante da Coleção Mineiriana como “obra de referência histórica sobre Belo Horizonte”), “Urucuia” e “Macaco Marx”. Seus textos são conhecidos e mereceram estudos em países como Portugal, Canadá, França e Estados Unidos. O escritor Roberto Drummond o tinha como “o pé-de-coelho” da crônica. O escritor Antônio Barreto o considera “o mestre da crônica”. Como editor autônomo, registrado na Biblioteca Nacional, já publicou mais de 50 livros com autores e temas diversos. Como músico, assina a direção artística, os arranjos e a interpretação de instrumentos solo para o projeto “Estação Calafate”, sobre o compositor João Mendonça.

Roberto Mendonça vive e trabalha hoje em sua chácara, nas cercanias da Serra do Cipó. “Como escritor e editor, pretendo continuar publicando muitos livros, meus e de outros autores. Estou com um CD praticamente pronto, há dois anos, com composições musicais populares. Tenho trabalhado com a música em projetos de amigos, algumas trilhas, mas agora quero me dedicar ao meu CD de estreia. Além de produzir as capas e projetos visuais dos livros, estou trabalhando em uma exposição de gravuras que pretendo apresentar ao público em 2020. Do jornalismo ando afastado, depois de trabalhar por mais de trinta anos em redações. Na medida do possível, pretendo aproveitar o meu tempo com trabalhos artísticos”.