Vem aí o “Abril 20” – o mês da conscientização sobre o autismo

Selma Sueli Silva

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, ou simplesmente Dia Mundial do Autismo, é comemorado em 2 de Abril, nesta quinta-feira. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 18 de Dezembro de 2007. A ideia é alertar a sociedade e governantes sobre o cérebro neurodivergente para derrubar preconceitos e levar informações confiáveis à população.

O livro “Dez Anos Depois”, de Victor Mendonça e Selma Sueli Silva, cita (pág. 56): “O termo neurodivergência (ou neuroatipicidade ou neurodiversidade) surgiu em 1999, com a socióloga australiana Judy Singer. Ela era autista (Asperger) e defendia que o espectro autista não era doença, ou seja, algo que precise de cura e sim uma forma diferenciada de funcionamento do cérebro. O autismo seria, segundo essa socióloga, mais uma diferença humana, uma característica inata que merece reconhecimento e respeito assim como etnias e orientações sexuais, por exemplos”.

No Brasil, o Dia Mundial do Autismo foi, até agora, celebrado com palestras e eventos públicos que acontecem por várias cidades brasileiras. Nesta data, vários pontos turísticos do país são iluminados de azul, cor que simboliza o Autismo. Entretanto, autistas adultos consideram a escolha discriminatória, já que há muitas mulheres autistas e tantas outras não diagnosticadas.

Autistas adultos defendem o conceito de neurodiversidade. De acordo com o livro “Neurodivergentes”, de Victor Mendonça, “Para muitos autistas, a neurodiversidade é um conceito e também o movimento socialque defende a visão do autismo não como doença, mas como variação da conectividade cerebral. Os ativistas pela neurodiversidade rejeitam a ideia de que o autismo deve ser curado. Além disso, defendem a celebração das formas de comunicação e expressão autistas e a promoção de sistemas de apoio que permitam aos autistas viverem como são” (pág. 21).

Adriana Torres, autista de 47 anos, diagnosticada em outubro de 2019 e mãe de um garoto autista, desabafa no livro “Camaleônicos”, de Selma Sueli Silva: “Entender o autismo para mim foi fácil, o difícil era entender o que as pessoas achavam que era o autismo” (pág. 188). No TEA, Transtorno do Espectro Autista como é chamado, as interações sociais são singulares; as formas de aprendizagem não se encaixam no padrão; há forte interesse em assuntos específicos; existe inclinação a rotinas; dificuldades em formas típicas de comunicação e maneiras particulares de processar as informações sensoriais.

No DSM-5 – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais foi feita a divisão do autismo em severo, moderado e leve, de acordo com o grau de suporte que a pessoa autista necessite. Por que o autista é considerado pessoa com deficiência? Antes, é bom entendermos que o contrário de eficiente não é deficiência e sim ineficiência. O contrário de deficiente é abundante, excessivo, perfeito, impecável, completo, perfeito… Quem o seria, então?

O autista tem certas características (limitações) que esbarram nas barreiras do ambiente e por isso ele não consegue fazer algumas coisas que pessoas sem essas limitações conseguem. Mas com o suporte e ferramentas necessárias, a pessoa com deficiência está pronta a revelar a totalidade do potencial que todo ser humano possui. A autista Laura Tisoncik lembra com propriedade: “A diferença entre autismo leve e autismo severo é que no autismo leve as suas limitações são ignoradas e no autismo severo o seu potencial é ignorado”.

Celebração do mês de conscientização sobre o autismo, o “Abril 20”.

Autistas, associações, entidades, profissionais e pessoas ligadas à causa do autismo vão celebrar o “Abril 20” e o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo em BH e alguns municípios mineiros, de forma diferente neste ano. A programação dos eventos presenciais do mês foi suspensa por causa do “Novo Corona Vírus” por determinação das autoridades públicas do país.

Ainda assim, com o tema: “Inclusão: direito do autista, dever do estado, da sociedade e da família”, a Comissão das Associações de Defesa dos Direitos dos Autistas de MG – CADDA MG, que integra um coletivo de defensores da causa em MG, vai celebrar de forma virtual o mês do autismo. A data será marcada com a produção de cartilhas eletrônicas, vídeos com relatos sobre o tema e entrevistas em diversos canais de comunicação ao longo do mês. A programação completa será divulgada em nosso Blog Mundo Autista tão logo nos seja repassada.

Sobre o autismo

O Transtorno do Espectro do Autismo é uma condição do desenvolvimento neurológico caracterizada por alterações que geram prejuízos significativos na comunicação, interação social e interesses restritos presente em cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo. Diferentemente do que acontece com outras deficiências, a pessoa com TEA não tem características físicas que a distingam dos outros indivíduos.

Os Estados Unidos divulgaram novos números da prevalência de autismo: 1 para 54. Estes dados foram publicados em 26/03/2020, pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention — o Centro de Controle de Doenças e Prevenção do governo dos EUA). O aumento é de 10% em relação ao número anterior, de 2014, que era de 1 para 59.

Como se referir às pessoas autistas?

TEA – Transtorno do Espectro Autista é o termo médico usado na legislação brasileira, é adequado em contextos jurídicos ou médicos, mas no dia a dia o melhor é dizer autista ou pessoa autista.

Como NÃO se referir a pessoas autistas?

  • Pessoa que sofre de Autismo, Pessoa que sofre da síndrome, Pessoa que sofre do transtorno
  • Portador de Autismo, Pessoa que tem Autismo, Pessoa que tem o Transtorno
  • Ele foi diagnosticado com a doença, é portador da doença, é pessoa que sofre com a doença
  • Pessoa com espectro autista, Pessoa que tem espectro autista
  • Pessoa Especial

Como se referir ao Autismo?

  • Autismo
  • condição
  • deficiência
  • natureza, natureza neurológica, natureza neurodiversa,
  • expressão da diversidade humana, expressão da neurodiversidade

Como NÃO se referir ao Autismo?

  • Doença, defeito, transtorno mental

Transtorno e Síndrome só devem ser usados em contexto médico e evitados nos demais contextos.